sexta-feira, 7 de junho de 2013

Livros didáticos de história - Ensino Fundamental (6o ano)


Salve salve pessoas, mais uma vez chegou a hora de escolher os livros didáticos para o próximo triênio pelo Programa Nacional do Livro Didático. Numa análise preliminar dos títulos que recebi, vi uma melhora gráfica significativa, mas muito mais do mesmo na parte conceitual, metodológica e conteudística. Verdade que tive algumas boas surpresas como a coleção link e uma certa ruptura no saber e fazer história. No geral, prevalece muito mais do mesmo. Acho que para quem gosta de um trabalho diferenciado, o História Temática da editora Scipione da Conceição Cabrini e outros ainda é o melhor. Ainda não recebi o novo, mas creio que não deva demorar. Conforme novos livros forem chegando, vou incorporando ao começo da postagem.

Projeto Velear: História de Andrea Montellato, Conceição Cabrini e Roberto Catelli. Editora Scipione.
Este livro é a nova versão da antiga coleção História Temática, que eu utilizei até ano passado. Esta sendo a última coleção analisada por mim, porque a editora repetidamente falhou em me encaminhar uma para ser analisada. Insisti nela após analisar todas as outras e hoje peguei na escola meus livros do professor. Minha primeira impressão não foi boa, pois a capa mudou. Anteriormente, eram usadas imagens de peças de artes representativas dos temas a serem abordados no livro. No caso do 6o ano, tratava-se do close do rosto de uma estátua egípcia, uma vez que os eixos-temáticos são tempo e culturas. A atual edição trás a imagem de uma construção e um vaso, ambos gregos, encobertos por uma enorme hexógono amarelo sob o qual há um relógio, que forma uma espiral de tempo. Nenhuma das imagens é identificada no interior do livro.
Após a apresentação dos autores, todos formados em história, há a apresentação do livro, com um pequeno texto sobre uma primeira aula de história. Também vi um perda aqui, pois o texto anteriormente utilizado aludia ao ambiente familiar e às experiências prévias dos educandos, além de ter um caráter mais lúdico. O texto atual trata da análise de uma imagem de uma urna funerário, onde os estudantes são instigados a perguntar. Já são apresentadas ideias como a história relativa ao presente, seu caráter comparativo, a análise das fontes.
Com o novo formato da coleção, os eixos temáticos embora continuem, possuem menor visibilidade, uma vez que antes vinha logo após o nome da coleção em cada livro e agora apenas são mencionados no manual do professor. Apesar disso, os eixos Tempo e Culturas foi mantido, assim como as quatro unidades: História e Memória, Tempo Medido e Tempo Vivido, Sociedades e Culturas, Cidades. A primeira unidade é dividida em dois capítulos, onde se discute o conceito de história através de sua relação com as vivências, a relação entre história e a memória e história e diversidade. Na segunda unidade, temos três capítulos sobre tempo e as temporalidades. A unidade três explora a importância da arqueologia, a questão evolutiva e a formação dos seres humanos, assim como o povoamento da América e seus habitantes. A última unidade divide-se em três capítulos onde a cidade enquanto fenômeno humano é analisada. Muito embora, valorize-se uma noção de origem, há uma valorização da diversidade humana na construção das cidades. A diversidade cultural humana se mostra em cidades mesopotâmicas, egípcias e gregas.
Infelizmente, apesar do livro ter sofrido uma repaginada visual, com novas imagens, textos e atividades, conceitos como "pré-história" e "origem" ainda balizam o tratamento dos temas. Basicamente, continua a mesma coleção, mas mais atualizada e dinâmica. Ainda assim, entendo que houveram perdas em alguns sentidos. Mesmo assim, continua sendo o melhor livro para 6o ano na minha opinião.

Por Dentro da História de Pedro Santiago, Célia Cerqueira e Maria Aparecida Pontes. Editora Escala Educacional.
A capa do livro trás a imagem de uma estátua de mulher em estilo grego e um vaso da mesma cultura sobre o fundo formado por pinturas rupestres, deixando claro o recorte temporal da obra: do paleolítico à origem da civilização ocidental representada pela Grécia Antiga. Toda a coleção trás a imagem de mulheres, o que sugere o interesse por outros sujeitos históricos. Embora a proposta da coleção pretenda fugir do viés mais tradicional, acaba por recorrentemente reafirmá-lo, ainda que com um discurso mais atual. A equipe de autores é encabeçada por um mestre em história, uma bibliotecária e uma pedagoga. No entanto, não senti reflexos didáticos ou bibliográficos que contem à favor dessa diversidade.
O livro é dividido em unidades e estas em capítulo com um recorte cronológico e espacial. Como sempre, há uma introdução (sequer um capítulo) para tratar dos conceitos históricos como cultura e tempo. A prática do historiador é comparada ao do detetive. A primeira unidade com dois capítulos trata da origem dos seres humanos. Embora a abordagem siga o modelo de explicação evolucionista costumeiro, é crítico e evita o uso de termos problemáticos como pré-história. Na unidade 2, o rotineiro etapismo das civilizações é precedido de um capítulo sobre a diversidade cultural e os processos centrais que serão analisados nos capítulos posteriores. Seguem-se capítulos sobre Mesopotâmia, Egito, hebreus, fenícios, persas para a eterna culminância de Grécia e Roma.
Durante os capítulos, existem exercícios diretivos ao final, bom material extra com textos e mitos. As imagens são bem escolhidas e os inícios das unidades são bem aproveitados. São colocadas questões atuais para a reflexão e o próprio saber científico é apresentado como algo político e construído. Existe um grande número de sites, bibliografia e filmes sugeridos na seção conecte-se. Dentro das coleções tradicionais, me parece uma boa opção.

Leituras da História de Oldimar Cardoso. Editora Escala Educacional.
A capa do livro trás uma sequência de pequenas imagens (pinturas rupestres, uma pintura egípcia de embalsamamento, um sábio chinês, soldados do palácio de Dario da Pérsia, uma batalha naval antiga e uma cena cristã em estilo medieval), sobre o pano de fundo do Coliseu atual, simplesmente resumindo os conteúdos do livro, bem como realçado seu viés cronológico, etapista de civilização. O autor é pós-doutor em didática da história, doutor em educação, mas isso não se reflete no tratamento do conteúdo, que é exaustivo. O livro possui 23 capítulos se estendendo até o fim da Idade Média. Há uma pretensão de esgotar todo o processo de formação da civilização ocidental, "nossas origens", bem como dar conta dos acréscimos de China e Índia. A atenção para a África subsaariana e para os povos ameríndios não é a mesma. Além disso, não há tempo e espaço para tratar de conceitos históricos, apenas mais e mais conteúdo pronto com conceitos não discutidos e explorados .
Embora o livro tenha uma linguagem atraente, reafirma todo tempo valores tradicionais, conceitos problemáticos. A cronologia é sempre valorizada. Os textos são dinâmicos e recheados de links laterais bem integrados às imagens. Estas são sempre ilustrativas. A diagramação é tradicional e a qualidade gráfica é mediana. Os exercícios são diretivos e em pouca quantidade. Também existe pouca indicação de filmes e sites. Um livro grande, pesado e deslocado das necessidades atuais na minha opinião.

Coleção Link - História de Denise Mattos Marino e Léo Stampacchio. Editora IBEP.
Esse livro de aparência despretensiosa foi uma surpresa muito boa. A capa parece querer passar a ideia de modernidade e conectividade com círculos interligados. O livro é relativamente fino para o padrão sem que isso prejudique o conteúdo.
É um dos raros livros de história temáticos. O interior trás uma verdadeira ruptura com os conteúdos tradicionais de ensino da história. O livro é dividido em 4 unidades temáticas bem definidas e descritas. Estas não se dividem em capítulos, embora a estrutura da diagramação seja próxima disso para apresentar os tópicos.
No principio é um tanto desconcertante, mas os textos conseguem manter o andamento das incursões por diferentes períodos históricos para abordar cada tema. Ao contrário do que se pensa, a linearidade não é abolida ou combatida, mas deixa de ser a única opção.
A primeira unidade é dedicada à "expansão do ser humano pelo planeta e relações de propriedade da terra". O texto se inicia tratando do espaço e da corrida espacial, enquanto que as atividades e propostas de discussão vão surgindo ao longo do texto. Uso da imaginação e o surgimento do ser humano. Egito, Mesopotâmia, Brasil colônia. Textos paralelos, mas diagramação tradicional. As sugestões de leituras complementares e filmografia são excelentes. Faltam atividades interpretativas.
A unidade 2 trata das relações entre o ser humano, a natureza e a sociedade através do trabalho. Revolução agrícola, divisão do trabalho, revolução urbana, trabalho e tempo (desenvolvimento do conceito). Conceitos como história e tempo vão sendo aprofundados ao longo do caminho, não ficando restritos a um ou dois capítulos iniciais.
A unidade 3 trás a questão da tecnologia e a 4 trata do desenvolvimento da linguagem. Em ambas continua a proposta de desenvolver o tema através de incursões por variados períodos históricos.
Existem alguns erros de português que evidenciam um descuido no rigor da produção gráfica do livro, mas certamente foi a obre diferenciada que pude analisar.

Coleção Para Viver Juntos de Débora Yumi Motooka e Muryatan Santana Barbosa. Editora SM.
A capa trás a imagem de vasos marajoaras, o que pode sugerir uma maior atenção aos povos ameríndios, muito embora isso não se constate no interior da obra. O caráter enciclopédico prevalece nos 9 capítulos divididos em módulos, que de maneira exaustiva tenta dar conta de um conteúdo que se estende até a Contrareforma.
A introdução serve para apresentar os conceitos históricos: memória, tempo. Segue-se o primeiro capítulo, com a noção de origem da humanidade. Fica muito nítido o viés de pré-vestibular do livro, que trás os conteúdos de maneira excessivamente resumida, quase que pontual, além de trazer atividades diretivas a cada módulo. Existem indicações dos tópicos principais no início dos capítulos e também nas sínteses ao final dos capítulos.
Existem algumas boas imagens, mas não são maioria. A diagramação também é tradicional. As atividades são muito diretivas, pouco reflexivas e deixam a desejar. Há pouca indicação de leituras, sites e filmes.

Vontade de Saber - História de Marco Pellegrini, Adriana Dias e Keila Grinberg. Editora FTD.
Capa brega com crianças contemplando figuras como a Vênus de Milo, Gandi, um guerreiro de terracota chinês e uma estátua iorubá. O título é tão ruim quanto.
Apresenta estrutura tradicional dos conteúdos. No primeiro capítulo, trás conceitos históricos como história, fontes, sujeitos, tempo. A seguir, passa pela origem do ser humano e a sequência das civilizações segundo o etapismo linear. Mesopotâmia e o desenvolvimento urbano. A estrutura da apresentação também segue o modelo que privilegia o recorte político. Na sequência, temos economia, sociedade, cultura (religião). África antiga: egípcios e cuxitas. Egito para agricultura. Cuxitas na lógica tradicional (exemplaridade) e atendendo as exigências da lei 10.639. Os fenícios são apresentados por sua contribuição para o comércio e os hebreus no aspecto religioso com o monoteísmo. Já os persas surgem pela organização de um império. A China é apresentada pelo resumo linear de sua história político-militar. 
Na culminância, temos os gregos, através do clássico dualismo Atenas e Esparta. Ela vem como berço da civilização ocidental, que vai se desenvolver com Roma. Os romanos são tratados através de sua história político-militar.  Um capítulo para a cultura clássica para fechar: legado para o ocidente.
Figuras maravilhosas. Atividades tradicionais ao final. Diagramação de qualidade, mas tradicional.

Projeto Teláris - História: Da Pré-História à Antiguidade de Gislane Azevedo e Reinaldo Seriacopi. Editora Ática.
O problema já começa no título: etapismo linear, sequenciamento tradicional de acordo com o quadripartismo europeu, problemas na categoria pre-história, pois tudo é história e documentos escritos não são mais importantes do que outros tipos de documentos históricos.
Símbolos de hieroglifos na capa marcando as civilizações que são o foco principal do livro, no caso, a egípcia. Um dos autores é formado em língua portuguesa e outro mestre em história. O teláris do título do projeto significa tecelão, o que pode remeter a uma rede e interdisciplinariedade, mas não é o que se observa na obra.
Há uma divisão em 4 unidades temáticas (tecnologia, civilizações, diversidade, política) sem romper com a tradicional representação de um progresso civilizatório cujas etapas são completadas a cada um dos povos.
A sequência dos capítulos também segue o roteiro costumeiro dos livros didáticos de história: apresentação de conceitos básicos como história, tempo e fontes no primeiro capítulo; surgimento do ser humano, revolução agrícola e desenvolvimento urbano no segundo capítulo (destaque para a busca pelas origens); povoamento da América e as migrações dos grupos humanos. Esses dois últimos normalmente servem para quebrar o galho quanto ao dever de falar de povos indígenas e africanos cobrados pelas leis brasileiras.
A partir do capítulo 4 seguem-se as civilizações mesopotâmicas (Estado), os egípcios (agricultura), os hebreus (religião), os persas (organização de um império) e os fenícios (comércio e alfabeto fonético). Os capítulos 7, 8 e 9 trazem a diversidade exigida por um público globalizado com China, Índia e civilizações africanas.
A unidade de política segue a lógica clássica e trás "o berço do Ocidente": Grécia e Roma, terminando com a desagregação do Império Romano e as migrações dos povos germânicos.
As imagens são boas e bem grandes, embora a diagramação seja comum. Possui boas atividades, links e extras interessantes. Existem interessantes textos complementares e fechamento de unidade com análises de documentos.

Encontros com a História de Vanise Ribeiro e Carla Anastasia. Editora Positivo.
Capa com estudantes usando tecnologias em frente a monumentos. O livro tem uma diagramação moderna, mas seu conteúdo é bem tradicional. É dividido em 4 unidades na sequência etapista linear, reforçando conceitos enganosos como pré-história e origem. Apesar das unidades serem divididas em "temas", aqui essa palavra serve como sinônimo para capítulos, pois se há um tema aqui é a o progresso da civilização humana. O primeiro capítulo trata dos conceitos básicos como de costume: historiador como detetive, fonte como testemunho, patrimônio e tempo. Exercícios comuns, diretivos e tradicionais ao final dos "temas".
No capítulo 2 trata-se da origem humana. Há constante reforço das noções de origem e de pré-história, mesmo que entre aspas. Já o tema 3 começa a história política da sequência de civilizações que vai da Mesopotâmia como berço das civilizações. Os temas seguintes são os reinos africanos. o tema 5, Índia e China. Ao final, é a vez de temas sobre gregos e romanos. A estrutura é sempre na sequência política, depois economia, cultura e sociedade. Termina com Império Bizantino.
As imagens são regulares e de caráter, na maioria das vezes, meramente ilustrativo. Exercício de caráter diretivo, com pouco espaço para a reflexão, quase sempre colocados ao final do capítulo.

História, Sociedade e Cidadania de Alfredo Boulos Junior. Editora FTD.
A única com cidadania no título. Para mim, tem o melhor título dos livros da linha mais tradicional. A capa não é das melhores, mas está de acordo com a proposta da coleção de um ensino ordenado e diretivo como a carruagem chinesa de terracota da capa. 
Logo no início do livro, chama a atenção a proposta de criação de um blog da turma através de equipes. A proposta é diferenciada e pode ser bastante interessante, podendo servir como atrativo para envolver os estudantes.
A estrutura, no entanto, é totalmente tradicional. No início, os capítulos 1 e 2 tratam sobre os conceitos básicos: história, fontes históricas, cultura e tempo. Depois sequencia linear etapista com acréscimo dos africanos. Grécia e Roma até Bizantinos.
Ótimas imagens e diagramação moderna Bons exercícios, documentos, referências de livros, sites e filmes. Fechamento das unidades interessantes, mas há a presença de conceitos como origem e pré-história.
O livro vem acompanhado de 3 cds com uma boa seleção de imagens e alguns textos interessantes de caráter tradicional sobre assuntos culturais, militares ou analisando importantes obras. Há um cd apenas de atividades também de caráter diretivo e tradicional.

Projeto Radix - Raiz do Conhecimento de Cláudio Vicentino. Editora Scipione.
O autor Cláudio Vicentino é figura costumeira no mercado de livros didáticos, sendo formado em ciências sociais e professor de cursinho, o que vemos refletido na estrutura e método do livro.
No capítulo 1, como sempre, somos apresentados aos conceitos de história e tempo. No capítulo 2, conforme as exigências curriculares, a ideia de pré-história, é criticada, mas continua sendo usada.  Assim, de maneira sucinta são apresentados os desenvolvimentos da agricultura, domesticação e metalurgia.
O módulo 2 passa a tratar do povoamento da América ("pré-história da América") e povos indígenas do Brasil. Não há a mesma preocupação com  os povos africanos. Os povos americanos reaparecem no capítulo 8 com as primeiras civilizações da América. O módulo 3 trás Egito e Mesopotâmia, na costumeira sequencia de viés político-militar. A cultura vem sempre ao fim como detalhe (estrutura de cursinho).
No módulo 4 e a vez de hebreus, fenícios e persas. Nos módulos 5 a 7, discorre de maneira clássica sobre Grécia a Roma. China e Índia são relegados ao final do livro, também sob a ótica político militar, como estranhos no ninho.
O livro apresenta boas figuras, diagramação dinâmica e moderna. As atividades são boas e interessantes, mas tradicionais e diretivas, pouco reflexivas. Existem poucas referências extras, sem fechamento dos módulos que parecem sem conexão.

Saber e Fazer História de Gilberto Cotrim e Jaime Rodrigues. Editora Saraiva.
Ouso dizer que Saber e Fazer História é o livro mais tradicional de ensino de história, tanto por sua longevidade (eu tenho uma edição de 1983), quanto por seu modelo de história apresentado.
Esse livro é um dos analisados em minha dissertação de mestrado (a edição era a aprovada pelo PNLD de 2005) e na época foi o livro com mais problemas dos 7 que analisei.
A edição atual para o PNLD 2013 tem além de Gilberto Cortrim, um autor com décadas de experiência no mercado de livros didáticos, o acréscimo de Jaime Rodrigues, doutor em história social do trabalho pela UniCamp. A capa trás a imagem de um estátua romana (a musa da poesia épica Calíope) vista pela tela de um computador. Isso diz muito sobre a vitrine da história que é apresentada pelo livro e seus autores.
O conteúdo exaustivo parece ser o grande trunfo da coleção, pois os 16 capítulos estendem-se até a consolidação da Idade Média e não até o fim da Idade Antiga como as demais. A lógica que privilegia a política prevalece nos capítulos das civilizações, que seguem o costumeiro arranjo do progresso civilizacional. 
O primeiro capítulo (o único da unidade tempo e história) é dedicado à reflexão sobre conceitos: história, fontes históricas, tempo.
Os capítulos seguintes tratam das origens do ser humano e origem dos povoadores da América. A ideia de origem é forte, mas é o único até aqui que não fala em pré-história.
O livro segue a sequência tradicional: Mesopotâmia, Egito (com acréscimo de Cuxe como adendo), hebreus, fenícios, persas, China e Índia, Grécia e Roma. Não considerando suficiente, com ambição enciclopédica segue com os povos germânicos, mundo islâmico, sociedade feudal, cristandade medieval e Bizâncio. 
A obra apresenta boas imagens, mas ainda muito ilustrativas, assim como a diagramação é tradicional. Atividades tradicionais e diretivas, mas ao longo do texto. Oficina de história ao final, propostas transdisciplinares, bons sites, leituras e filmes sugeridos, mas tradicional. Bons documentos no inicio dos capítulos. 

Jornadas.hist de Maria Luísa Vaz e Silvia Panazzo. Editora Saraiva.
A capa trás um aqueduto romano localizado na França, assim como um riacho que passa sob ele. A fluidez parece ser uma ideia lançada ao público.
No entanto, o livro é distribuído em 8 unidades, que seguem o tema tradicional do progresso da civilização, ainda que o arranjo e distribuição dos capítulos fuja um pouco do padrão. Além disso, é dedicado mais espaço à reflexão de alguns temas não usuais, como um número maior de povos africanos e o Japão. 
Os 2 primeiros capítulos são dedicados à apresentação de conceitos: história, sujeito, fonte, patrimônio. O capítulo 3 é dedicado à origem da terra, mitos sobre a origem e tempo geológico. Seguido por cultura  e calendário no capítulo 4. Os capítulos trazem o mito da origem para o surgimento dos seres humanos no mundo (capítulo 5) e na América (capítulo 6) evocando além da ideia de origem, a de pré-história.
Depois disso, as civilizações são sequenciadas não por suas "contribuições" à civilização como de costume, mas por sua localização geográfica. Assim sendo, temos na unidade 4, o capítulo 7 para o Egito, o 8 para outros reinos africanos. Na unidade 5, impérios do oriente, seguem-se Mesopotâmia, persas, China, Índia e Japão. Talvez muito próximos do "centro", fenícios e hebreus são postos na unidade 6, que não tem designação de lugar, assim como Grécia e Roma que integram as duas unidades seguintes, retomando a sequência tradicional. Prevalece ainda o viés político com a ordem quase eterna política, sociedade, economia e cultura.
Destacam-se as imagens, que são ótimas, grandes e bem utilizadas como elemento para a reflexão. A diagramação é bastante dinâmica. Outra qualidade é que os exercícios e atividades são colocados ao longo do texto. Pontos principais são destacados no começo do capítulo, uma seção "teia do saber" ao final serve como fecho, mas as questões muitas vezes são diretivas. Também merecem destaque as propostas de pesquisa na área "procure fazer". As sugestões de leituras, filmes e sites vem ao longo dos textos.

História nos Dias de Hoje de Flávio de Campos, Regina Claro e Miriam Dolhnikoff. Editora Leya.
Apesar dos autores do livro serem uma mestra (africanista) e doutores em história pela USP, o conteúdo do livro é muito decepcionante. O livro é altamente tradicional, seguindo o etapismo linear do progresso da civilização. O capítulo dedicado às civilizações africanas que não a egípcia são expulsos para o final do livro (capítulo 10). A imagem da capa é mal informada e trás corredores de alguma pintura grega. Esse ponto de partida é a origem que é o perpétuo ponto de chegada de olhares com o deste livro.
Não há unidades. A estrutura interna dos capítulos é tradicional, embora tente apresentar um tom moderno com sessões como "jogo aberto", "bate bola" e "olho no lance". De positivo, há o passo a passo inicial que trata da análise de documentos, imagens, mapas e técnicas de estudo.
São reforçados conceitos como pré-história e origens. 
Boas imagens, embora muitas vezes apenas ilustrativas. A diagramação é tradicional, mas com algumas liberdades. Bons exercícios, mesmo que tradicionais ao final dos capítulos. Boas indicações de sites, leituras e filmes também ao final.

Projeto Araribá de Maria Raquel Apolinário. Editora Moderna.
Capa trás a Catedral de Santa Sofia em Istambul, um símbolo de encontros culturais, mas remetendo também ao encerramento do conteúdo do livro. 
O livro tenta ter uma roupagem diferenciada, mas na verdade os temas em que se dividem são apenas capítulos. Não há verdadeira mudança metodológica no ordenamento do texto. A mesma estrutura linear e etapista se repete. Após os dois "temas" iniciais sobre conceitos: história, fontes históricas, verdade, tempo. Seguem-se as unidades sobre a origem do ser humano (novamente a ideia de pré-história), o povoamento da América, Mesopotâmia, Egito, Núbia, China, Índia, Fenícios, Hebreus, Persas, Gregos e Romanos. A primazia do político também é a única opção.
O livro apresenta imagens boas, uma diagramação tradicional, exercícios diretivos e repetitivos ao final. Sem indicações externas como leituras, filmes ou sites.

Estudar História - Das origens do homem à era digital de Patrícia Ramos Braick. Editora Moderna.
O maior problema desse livro começa pelo título, na minha opinião o pior de todos. Ele representa o eterno etapismo linear desde já. Ele se integra a uma imagem egípcia de uma dádiva, o que também diz muito.
Os capítulos seguem o modelo tradicional, sem divisão em unidades. Origens o tempo todo: o ser humano em busca de suas origens (capítulo 3), a origem das cidades (capítulo 4). A estrutura também privilegia o político como de costume.
.As imagens são boas. As questões surgem ao longo do texto. Boa diagramação, muito quadrinho. Exercícios diretivos e tradicionais. Sem extras.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ensino e pesquisa ou Recanto de Memórias

Nas últimas semanas, depois de analisar com calma as biografia de avós dos meus estudantes do 6o ano, estou construindo com eles, em sala de aula, os textos sínteses que reúnem os dados e as narrativas de cada turma. O primeiro passo é apresentar para eles os dados, que divido em 8 categorias: sexo, origem, migração, época do nascimento, trabalho na infância, estudo, ocupação e opinião sobre o mundo de hoje. Há uma discussão sobre aquelas informações para fomentar a reflexão. É importante ressaltar para eles que essa é uma história produzida por eles: eles não estão ali só aprendendo, estão ensinando o que aprenderam com os familiares. Eles são convidados a refletir sobre uma informação que eles mesmos produziram e eu apenas recortei.
Através de um debate com cada turma, analisando as possibilidades de significados dos dados, vou construindo o texto no quadro. Durante a narrativa, eu vou inserindo citações deles mesmos, escolhidas por mim previamente na correção dos trabalhos. Elas tanto inserem o discurso dos crianças, essas memórias reverberadas de seus avós, quanto formam uma espécie de colcha de retalhos capaz de dar a ler micro e macro histórias. A produção do texto se transforma na possibilidade de pensar as vivências e memórias de seus antepassados, além das relações com as vivências e memórias dos educandos. Uma história muito mais familiar é construída na sala de aula.
Como em toda boa aula, isso leva à construção de um texto diferente para cada turma. As análises não só abarcam o esforço de pesquisa dos educandos como atingem a sensibilidade deles, pois mostra que aquelas histórias de vida, de pessoas simples e vividas, são capazes de dar conta da história deles mesmos, da história da localidade (no caso, o Recanto das Emas), de Brasília e mesmo do Brasil.
Umas das boas coisas que aprendi na minha formação como professor de história / historiador é que a história é um discurso, uma forma de atribuir sentido ao mundo. Permitir que os alunos percebam isso e construam seus próprios sentidos sobre o mundo, sobre suas famílias, suas localidades é um desafio. Se queremos isso deles, temos de escutar e orientar essa prática. Ninguém aprende com o erro dos outros, mas ninguém aprende tudo sozinho.
Vale lembrar que esse trabalho é a base da minha (pretensa) pesquisa da tese de doutorado. Ensinar pesquisando e pesquisando para aprender.. ensinar.. enfim, vocês entenderam.. ou não?
O resultado do esforço conjunto de todos nós segue abaixo:

6o ano A

Nas biografias dos avôs e das avós escritas pelos estudantes do 6o ano A do CEF 308 do Recanto das Emas, nós pudemos observar uma maioria de histórias de vida de mulheres. Isso pode ser explicado pelo maior contato com as avós, pois muitas vezes as mulheres passam mais tempo com a família. Para os filhos e netos é mais fácil conhecer as histórias de vida de suas mães e avós, já que os homens passam, em geral, mais tempo fora de casa, isso quando eles se envolvem com os filhos de alguma forma.
A grande maioria desses avós veio de estados do Nordeste como Piauí (6), Bahia (4), Maranhão (3) e Ceará (2), ou ainda, de áreas interioranas de estados próximo ao planalto central como Minas Gerais (3).  Como nos mostra a aluna Elayne, quando nos conta de sua avó: "Eu nasci em Serrolândia, Bahia, e me mudei de lá para Goiás, depois para o Recanto das Emas, porque perdi os meus pais". Assim sendo, nós percebemos que haviam muitas dificuldades nessas regiões, onde haviam poucas oportunidades de trabalho e estudo.
Essa migração dos nordestinos começou muito antes da construção de Brasília e continua até os dias de hoje. A maioria das biografias nos mostram que esses avós (12) mudaram de suas terras natais em busca de uma vida mais justa. De acordo com a estudante Katherine: "Também pensando no futuro de suas filhas, resolveu mudar-se para Brasília, pois ela encontrou melhores condições de vida. Já a aluna Gislane acrescenta que: "Minha avó nasceu no Ceará. Ela mudou de lá, porque lá não tinha emprego". Essas mudanças, muitas vezes, eram feitas por toda a família, como no caso da avó de Guilherme Vitor: : "Ela nasceu em Minas Gerais, mudou de lá porque todos os irmãos dela vieram para cá". Mesmo assim, alguns desses avós (7) vivem até hoje na mesma localidade, como nos mostra a estudante Michele: "A minha avó nasceu em Redenção, Piauí, se criou lá e não mudou de cidade". Assim, nós percebemos que os caminhos da vida dos nossos antepassados também é um pouco do nosso caminho.
Na época em que muitos desses avós nasceram, a vida tinha várias dificuldades. Muitos desses avôs e avós (10) nasceram na década de 50, o que nos mostra que ainda eram crianças na época da construção de Brasília. Desse modo, entendemos que a maior parte deles acompanhou os pais e a família na busca por melhores condições de vida no centro-sul. Segundo a estudante Thatyane, por exemplo: "Minha avó nasceu em 1955 no hospital, a vida antigamente era difícil".
Essa vida difícil podia ser percebida na necessidade deles trabalharem desde a infância para ajudarem seus familiares. A grande maioria (14) teve de trabalhar durante a infância para garantir o sustento da casa, como nos conta a aluna Jully: "A infância do meu avô era difícil, porque ele e as outras crianças tinham que trabalhar na roça ajudando seus pais". Ser criança naquela época era já ter que lidar com as responsabilidades de um adulto.
Além de terem de trabalhar, esses avôs e avós tinham dificuldades para frequentar a escola. Mesmo que 15 dos avós tenham dito que frequentaram a escola, apenas 2 deles disseram que concluíram o estudo. A maior parte fez as séries iniciais para aprender o básico como ler e escrever, as contas de somar e subtrair, antes de abandonar os estudos. Segundo a estudante Nicolly: "Naquela época era muito difícil ir à escola, mas o pouco que eu consegui foi estudar até a 3a série". A mesma ideia aparece no depoimento colhido pela aluna Gabriela: "Estudei até a 4a série, eu frequentei a escola em busca de um futuro melhor, mas isto não foi possível". A estudante Isadora acrescenta ainda sobre sua avó: "Frequentou a escola com 6 anos e parou de estudar com 10 anos. Ela estudou porque a mãe dela aconselhou a estudar para o desenvolvimento". Sendo assim, temos de acrescentar os 4 avós que sequer puderam iniciar os estudos, como cita a aluna Jenniffem: " Minha avó não foi à escola, porque os pais dela não tinham condição". Vemos que era outra a importância e a possibilidades de estudo naquela época.
Com pouco estudo ou nenhum estudo, muitos desses avós tiveram poucas opções de trabalho na vida adulta. A maior parte deles (9) continuou envolvida com a agricultura, serviço que já praticavam desde a infância ajudando suas famílias. Outra parte significativa desses avós (5) trabalhou  com serviços domésticos em casa de família. Segundo o estudante Maikon, por exemplo: " Era trabalhador rural, plantava arroz, açúcar e mandioca. Colhia e depois vendia". A mesma ideia é apresentada pela estudante Maria Eduarda: "Trabalhou na roça, no engenho, fazendo farinha, plantando mandioca, feijão, cana". Além do trabalho agrícola, qualquer serviço apresentava muita dificuldade, como nos mostra a estudante Thatyane: "Ajudou seu pai a vender coisas, ganharam dinheiro, mas não foi o suficiente para pagar as contas e botar o de comer na mesa". Assim sendo, aprenderam a sobreviver com o que tinham e a encontrar a beleza onde podiam, como nos narra o aluno Guilherme Ítalo sobre seu avô: "Trabalhou de ajudante nas construções, gostou de ver como ficavam as construções".
Com essas vidas tão cheias de acontecimentos, que podemos usar para construir um conhecimento sobre o passado e suas vivências, os avôs e avós ficaram divididos entre os que consideram que o mundo é melhor nos dias de hoje (6) e os que preferiam o mundo antigamente (7). Alguns, como a avó da estudante Giselle, defendem que o tempo passado era melhor: "Antigamente ela achava melhor, porque não existia violência em lugar algum". Outros, como o avô da estudante Jully, preferem o tempo atual: "Meu avô disse que hoje é melhor que no tempo dele, porque as coisas evoluíram". Portanto, podemos perceber que as ideias de menor violência, de maior contato entre as pessoas e da força da juventude são critérios de quem defende o tempo passado. Enquanto que a tecnologia e modernidade estão nos relatos dos que preferem a atualidade.
Para concluir, podemos ver que as histórias de vida desses homens e mulheres, pesquisadas e escritas por seus netos e netas, são capazes de desenvolver o conhecimento não só sobre as famílias, mas também sobre a cidade Recanto das Emas, a capital Brasília e até mesmo sobre a história do Brasil. Existem aqui exemplos, análises e pensamentos que servem para todos nós conhecermos nossa própria história, construirmos essa história como construímos esse texto.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Currículo em movimento: uma questão de perspectiva



Salve salve pessoas.. eu não sou muito de desistir das coisas, mas hoje eu desisti de participar do processo de discussão e "reformulação" do currículo promovido pela secretaria de educação do DF, no meu caso, na Coordenação de Ensino do Recanto das Emas. Desisti por não concordar, ou melhor, por não ver possibilidade de discordância. Não há um processo de discussão do currículo. Há apenas a burocracia para legitimar um processo que é tido com necessário, mas cujos agentes não estão interessados.
Tentarei ser mais claro. Não me parece que a maioria dos professores esteja interessada na modificação do currículo. Currículo aqui entendido quase que totalmente como conteúdos.
Se você tem pouca leitura sobre currículo, te indico o Tomaz Tadeu Silva pra você começar... mas saiba desde já que currículo é muito mais que uma seleção de conteúdos. Minha e meu querid@, currículo é poder.
A secretaria de educação entende que são necessários 64 professores (4 por área, metade de cada turno) para conferir a legitimidade dessa reformulação. Haviam 15 professores no encontro. Todos recebendo fichas e um modelo impresso dos conteúdos que deveriam ou não ser suprimidos, acrescentados ou alterados.
Nada de debates conceituais. Nada sobre estratégias de ensino. Nada sobre legislação de ensino. Nada sobre cultura escolar. Só marque C para os certos e E para os errados. Para no fim, nossos belos nomes conferirem uma legitimidade vazia para mais um documento artificial que tenta enquadrar a realidade. Não tô nessa para aceitar pré-histórias, origens e progressos luminosos.
Não quis ser herói. Só não tava com saco pra isso. Tive um dia difícil, onde eu conversei com vários seres humanos sobre os rumos de suas vidas. Onde eu dei minhas aulas, transferi estudantes de turma, me decepcionei com alguns fujões, entre outras coisas.
Também não estou colocando a culpa nos agentes.. aprendi com um grande amigo há muito tempo a sair do mundo da culpa.. nunca ajuda em nada. Sei que não é o processo que deveria (ou que se proporia) a ser. Para mim, está muito mais vinculado ao mesmo processo disciplinador, homogeneizante e acrítico que vem desde os princípios da escolarização. Mais do mesmo.. sempre mais do mesmo ensino bancário. Simples assim.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Avaliação, diagnósticos e fim do 1o bimestre...


Salve salve pessoas... hoje, 26/04, se encerrou oficialmente o 1o bimestre escolar da rede pública de ensino do Distrito Federal. Apesar das turbulências, o saldo foi bastante positivo.
Na minha opinião, o objetivo do 1o bimestre não deve ser o sucesso de ter todos os alunos passados.. deve sim ser o estabelecimento de um diagnóstico, a identificação das necessidades, carências e deficiências de cada estudante, para trabalhá-las de modo a potencializar suas aprendizagens e torná-lo apto a andar com os as próprias pernas.
Esse ano, consegui que 95% dos estudantes do 6o ano realizassem o trabalho de pesquisa sobre a história de um de seus avós. Todos os 5% que ainda não o realizaram estão sendo cobrados quanto a isso. Não há a opção não fazer. Essa avaliação vale 30% da nota, mas mais importante que isso, me dá um horizonte de expectativa com base no espaço de experiência dos educandos. 
Por outro lado, 70% dos estudantes tiraram menos da metade do valor da prova. A prova é difícil mesmo, ainda mais sendo a primeira prova de história elaborada por um historiador pra eles. Os repetentes tiram boas notas por exemplo. A maturidade pesa muito no saber fazer uma prova. Isso também precisa ser trabalhado, criar uma cultura da avaliação com eles. Podem ser os os primeiros passos de um método científico na vida deles.
Cerca de 20% terão de passar pelo processo de recuperação. Aqui há uma divisão de acordo com a dificuldade que ele apresentou. Pode ser uma nova prova ou refazer o trabalho (ou fazer pros que ainda não fizeram).
Nas turmas de 8o ano, a tática de refazer os trabalhos sobre suas propriedades (residências) mostrou-se um sucesso. Apesar de um trabalho hercúleo, pois alguns trabalhos foram refeitos e corrigidos até 6 vezes, o interesse dos estudantes em alcançar os 3 pontos máximos foi impressionante. Houve a preocupação deles de melhorar o relato e corrigir os erros de português apontados.
As notas da prova também estiveram em um patamar mais elevado, fazendo com que 95% não necessitem de recuperação. Mesmo o 8o ano H, a turma de estudantes com histórico de repetência e indisciplina, apenas 20% dentre eles ficaram com notas abaixo de 5,0, 5% desses abaixo de 3,0. Pese o fato que 80% dos estudantes que apresentam essas dificuldades estão estudando comigo pela primeira vez, o que torna o processo mais lento.
Saldo final, o 6o ano A é uma excelente turma atualmente (duas meninas deixaram a turma e uma menina e um menino chegaram). Os estudantes número 1, 6, 11, 18, 21 e 25 apresentaram dificuldade em entender o que é história, fontes históricas, os ciclos da natureza. A aluna 21 é repetente e merece ser avaliada com mais cuidado. Destacaram-se os números 7, 15, 22. Também teve significativa melhora de desempenho a estudante 6. Indisciplina apenas do 11.
O 6o ano B é uma turma boa, mas com várias dificuldades. Há um grupo grande de repetentes que não costumam cumprir tarefas. Os casos mais preocupantes são 1, 9, 10, 12, 23, 26 e 28. Todos apresentam problemas sérios de leitura e e escrita. Tem dificuldade em expressar os conceitos históricos e interpretarem textos. Também merecem atenção redobrada 11, 25 e 27, que são repetentes e recorrentes nas dificuldades. A estudante 27 é recorrente nas indisciplinas. Destacaram-se 14 e 29, dois repetentes que estão mostrando bastante serviço.
O 6o ano C é uma turma difícil. A mais difícil do 6o ano. E olha que eu sou o professor conselheiro dessa turma, hoje mesmo tivemos muita bagunça. Há uma grande concentração de crianças agitadas nessa sala e alguns casos específicos de histórico de indisciplina. Dão especial trabalho 1, 7, 9, 15, 19, 22, 23 e 28.  Fiz um novo mapeamento e tentei uma nova estratégia de enquadrar o problema. Além disso, apresentam problemas de aprendizagem 11, 13, 16, 17, 19, 23, 25, 27 e 28. Destacaram-se 3, 4, 6, 12 e 26.
O 6o ano D é uma turma muito grande, com 34 estudantes (5 a mais que as 3 turmas anteriores). Aqui também existem casos de indisciplina acentuada com o agravante do tamanho da turma. Existem aqui 3 repetentes que já cursam o 6o ano pela 3 vez, casos que merecem total atenção (7, 9 e 18). Além destes, requerem especial atenção os estudantes 6, 20, 21 e 24. A indisciplina é recorrente em se tratando dos estudantes 8, 10, 16, 18 e 31. O estudante 23 apresentou problema de matar aulas, mas parece ter sido solucionado. Destacaram-se 4, 10, 11, 30
O 6o ano E também é uma turma grande, com grande número de meninos, alguns dos quais com histórico de indisciplina. Em especial, 8, 15, 28, 29 e 30. No entanto, foi a turma com melhor desempenho nas avaliações e aparenta ter mais maturidade para relacionar-se com os conceitos e os conteúdos. Destacaram-se 3, 12, 18, 23, 24 e 25. Necessitam de cuidados maiores os educandos 13, 20, 22, 26, 28 e 30.  A estudante 13 apresenta faltas excessivas. 
O 6o ano F é a segunda turma de 6o ano mais complicada. Além de ser uma turma com 32 estudantes, tem uma desproporção grande entre meninos e meninas. Requerem atenção pelo histórico de repetência os números 3, 9, 15, 17, 23 e 29. Também requerem atenção redobrada os estudantes 8 e 13. Apresentam problema de indisciplina 7, 10, 17, Apresentam dificuldades no entendimento e na expressão dos conceitos 17, 23 e 25.
O 8o ano A é a menina dos meus olhos. Os únicos casos para se preocupar são 2, 13 e 26. Os destaques principais são 1, 7, 12, 18, 23, 27 e 28.
O 8o ano B não teve um desempenho tão louvável nas avaliações, mas também teve empenho muito satisfatório. Apenas a estudante 9 precisará realizar recuperação. Alguns casos precisam ser acompanhados com atenção, devido a serem repetentes com históricos de desistência: 1, 5, 22. Na questão disciplinar 10, 28. Foram destaques 2, 7, 8, 16, 20, 25.
O 8o ano C teve um ótimo desempenho nas avaliações, mas muitos problemas disciplinares. A turma é muito cheia, com 35 estudantes. Vários destes apresentam problemas recorrentes de indisciplina, além de inúmeras reprovações (19 e 35). Além destes, apresentam resistência a regras e respeito ao próximo 7 e 30. Outros estudantes agitados são 5, 9, 12, 17, 23, 32 e 34. Quanto às dificuldades de  aprendizagem ou de interesse, chamaram a atenção 2, 8, 9, 19, 23, 30 e 34, principalmente o último caso. Destacaram-se 1, 22, 25 e 33.
O 8o ano H teve um desempenho bom, mesmo com grandes dificuldades. Os estudantes 20 e 22 são dois casos difíceis, que precisam de uma ressocialização, mesmo em um ambiente de educando com histórico de repetência e indisciplina. Um problema sério é a evasão, que é mais acentuada aqui que em qualquer outra turma: 9, 12, 19, 23 e 26. Precisam de um acompanhamento mais cuidadoso também os estudantes 7, 10, 14, 27. Alguns casos de indisciplina também são 2, 5 e 15. Destacaram-se 3, 6, 13, 18,  21, 24, 25.


terça-feira, 9 de abril de 2013

O preço do tomate (Ilha das Flores de Jorge Furtado e Cabra Marcado pra Morrer de Eduardo Coutinho)


Salve salve pessoas, em tempos de tomate nas alturas, o trabalho segue em sala de aula. Por coincidência (ou não..), trabalhei com o filme Ilha das Flores de Jorge Furtado em sala. O filme foi passado às turmas de 8o ano junto com um trecho do documentário Cabra Marcado Pra Morrer. O objetivo principal é problematizar a questão da propriedade e da liberdade.
Ilha das flores é um documentário de cerca de 10 minutos que conta de maneira bem-humorada a trajetória de um tomate desde o cultivo até o lixão de Porto Alegra, a Ilha das Flores. Ele trás para o foco do debate o problema do lixo, da marginalização humana, do apartheid social que vive-se em tantos lugares. Basta lembrar, para citar o caso do DF, da Cidade Estrutural, agora legalizada, que começou como mais uma invasão, anexa ao lixão de Brasília.


Cabra Marcado pra Morrer é um filme sensacional e único. Tem inscrito em sua própria construção a trajetória do Brasil, bem como do cinema brasileiro e daqueles que lutaram contra o sistema e os poderosos. O filme tratava em seu projeto original de contar a história de João Pedro, líder de liga camponesa, que é assassinado pelas pressões de latifundiário. Com o golpe militar de 1964, o projeto foi abortado e seus agentes lançados à clandestinidade.
Em 1981, o diretor Eduardo Coutinho recupera o projeto com o intuito de encontrar o que se dera com todos que tomaram parte dele. Momento mais interessante é o encontro com Elisabete Teixeira, viúva de João Pedro, que após 17 anos de reclusão e clandestinidade, tem novamente a oportunidade de relatar o infortúnio de seu marido. Essa narrativa é entremeada de cenas da filmagem original, tendo a oportunidade de dar a ler a opressão e desmando da elite latifundiária sobre os campesinos e posseiros.
O trecho utilizado em sala vai dos 22 min até os 40 min do filme.


terça-feira, 26 de março de 2013

O som do universo (Acercadacana de Felipe Calheiros)


Salve salve pessoas.. mais práticas, mais dias e assim a vida se faz. Essa semana é curta, porque tem feriado da Semana Santa na 5a e 6a.
As últimas aulas foram deveras produtivas. Com as turmas de 6o ano, apresentei três interessantes vídeos sobre o universo. O tema agora é tempo. Acima de tudo, o olhar humano para o tempo. Começo, portanto, em concordância com o livro, tratando dos ciclos da natureza que foram percebidos pelos seres humanos. Dia e noite, as fases da lua e as estações do ano são processos vivos para os estudantes e torna o diálogo bem interessante. Eles tem uma curiosidade de saber como essas coisas funcionam e acontecem. O assunto é tratado em diversas disciplinas e a perspectiva dos historiadores realça como o tempo nos governa e nos navega.

http://www.youtube.com/watch?v=gqEDrTurDns


Os três vídeos servem para tirar os pés deles do chão. Eu tive essa ideia no ano passado, quando precisei repor as aulas da greve aos sábados, o que implicou em 3 aulas seguidas para levar só duas turmas por sábado. Daí montei um grande aulão do universo.
Porém, no ano passado, eu os apresentei ao fim das explicações, como a culminância do processo. Dessa vez, eu optei para trazê-los logo de cara e só então colher os cacos para explicar. Estou na experimentação do processo.
Com as turmas de 8o ano, após o filme Narradores de Javé, foi a vez de trabalhar com eles o documentário Acercadacana de Felipe Peres Calheiros, que já está articulado com os eixos temáticos Terra e Propriedade. O filme tem 19 minutos e apresenta a luta da senhora Maria Francisca, posseira de um sítio no Engenho Tiúma em São Lourenço da Mata, Zona da Mata de Pernambuco. Ao contrário de milhares de outros posseiros, que foram expulsos ou coagidos, a lavradora resiste no local que é sua moradia há mais de 40 anos. Ela denuncia a violência e os desmandos dos donos do engenho, o grupo Petribu, que prefere tomar as terras para o cultivo da cana. A cena final dos paredões de fogo do canavial em chamas que envolve o sítio é marcante.
Para a discussão, somo ao filme, duas músicas: Asa Branca de Luiz Gonzaga e Banditismo Por Uma Questão de Classe de Chico Science e Nação Zumbi. O resultado foi muito proveitoso, despertando o interesse dos educandos. Asa Branca é uma música muito familiar para eles, levando uma das turmas a cantar junto com a música, além de ser um hino dos sertanejos. Banditismo é uma música com pegada rock'n roll, mas com o melhor do manguebeat, mostrando outra ótica pra formação da delinquência: "banditismo por necessidade".
São três óticas dos conflitos pela terra e a propriedade. Vamos ver o que sai também...


sexta-feira, 22 de março de 2013

Narradores de Javé de Eliane Caffé


Salve salve pessoas...
Hoje, finalmente, pude dar início ao projeto História e Cinema lá na escola. A sala de vídeo ainda não está completamente recuperada, mas a televisão foi trocada por uma maior e algumas das adaptações necessárias já estão prontas. O primeiro filme que pude apresentar aos estudantes foi Narradores de Javé, um filme de 2003 da diretora Eliane Caffé.
O filme narra a "odisseia" da população da pequena vila de Javé que será engolida pelas águas de uma barragem. Na esperança de salvá-la do avanço das águas, a população resolve relatar a história das origens da comunidade para constituir um documento capaz de embasar a defesa desse patrimônio cultural.
Tudo isso, nós sabemos através de Zaqueu, personagem de Nélson Xavier, que está narrando o acontecido a outras pessoas em um bar.
Incapaz de documentar a própria história, a população se vê obrigada a repatriar um antigo pária, um poeta lançado ao ostracismo por ter denegrido no passado todo o povo da comunidade javense, Antônio Biá, vivido magistralmente por José Dumont. Antônio Biá recebe a incumbência de ouvir a todos e produzir a narrativa final capaz de salvar Javé e ele mesmo.
Demora pouco para que o Homero nordestino, no entanto, esbarre nas histórias construídas por cada um. Cada qual dos habitantes tem seus próprios interesses a apresentar, desejando sempre "puxar a sardinha pro seu lado", como se diz por aí. Todos tem alguma história, alguma prova ou desejo de possuir um ou outro. O próprio Biá faz daquela história o palco de sua prosa debochada e inquieta, perturbando a todos ao mesmo tempo que relembrando-os da necessidade que tinham dele. Como já fizera antes e anuncia, ele mostra que há fogo, onde todos viam apenas fumaça.
Várias das falas de Antônio Biá e seus vizinhos podem ser exploradas em sala de aula, tais como:
-"Uma coisa é o fato acontecido, outra coisa é o fato escrito. O acontecido tem que ser melhorado no escrito de forma melhor para que o povo creia no acontecido".
- "Gente, escritura é assim: um homem curvo vira carcunda; gente do olho torto, eu digo que é zaroio; por exemplo, se o sujeito é manco assim, então, na história, eu digo que ele não tem uma perna. É assim, é das regras da escritura".
- "Se a senhora não quiser, eu não dou grafias na sua odisseia ou escrevo o que me der na cachola sem ponto e vírgula"!
Tudo isso, somado às narrativas mais que pessoais da comunidade, nos permitem ver os inúmeros conflitos daquela gente e o reflexo em suas histórias sempre atuais do passado. Haveria alguma verdade além das versões? O filme escancara a dimensão narrativa da história, um problema batido para os acadêmicos, mas muito negligenciado em sala de aula. A epopeia formadora das nações e Estados modernos é tida com única e inevitável forma de se estudar história. Eu deixei de crer no lindo progresso da civilização ocidental muito antes de aprender que o progresso foi uma ideia construída "positivistamente" no século XIX.
Além de denunciar ilusões historiográficas, o filme serve para dar voz a uma cultura popular muito mais próxima de nós do que se costuma aceitar. As duas turmas de 8o ano que assistiram ao filme hoje adoraram, se esborracharam de rir e reconheceram muitas de suas vivências ou de seus familiares nas cenas do Brasil que passavam na tela.
Obviamente, o filme que possui cerca de 100 minutos tomaria duas aulas para ser passado completamente. Eu prefiro fazer um recorte que vai do momento que Antônio Biá apresenta o livro onde escreverá a história (minuto 18) até o fim da narrativa de Firmino, o ator Gero Camilo, na casa de Deodora, a atriz Luci Pereira (minuto 45). Isso permite aos educandos assistirem três narrativas: a do senhor Vicentino, o ator Nélson Dantas, (engrandecendo Indalécio); a da senhora Deodora (engrandecendo Mariardina); e a do próprio Firmino (se colocando no papel de Indalécio, ao mesmo tempo que denigre o próprio e Mariardina). Também dá tempo para o deslocamento para a sala de vídeo e a discussão sobre o que foi assistido sem correria.
A provocação começa com qual é a verdadeira história? Existe uma história verdadeira?.. e por aí vai...
Na semana que vem, no turno contrário, passarei o filme completo para os estudantes que se interessarem.

http://planodeaulasdehistoria.blogspot.com.br/2014/02/narradores-de-jave-de-eliane-caffe.html

quarta-feira, 13 de março de 2013

Projeto Político Pedagógico


A maioria das pessoas que eu conheci até hoje tem horror a essas três palavrinhas. Acho que só perdem pra "fazer uma dinâmica". A palavra política costuma pagar o preço de um de seus sentidos. Isso prejudica a percepção da microfísica do poder. Todas as escolas precisam de um, a maioria apresenta algum, mas poucas realmente tem isso. Mas todo professor ao longo da vida, quer queira ou não, constrói um projeto político pedagógico.. como vai o seu?
Hoje, a regional de ensino convocou os professores para uma discussão dos ciclos. Mais uma vez, um mar de resistência contra a determinação de uma vontade. Parece com muita sala de aula que eu conheço. Fato é que os ciclos vem aí e como eu já comentei sobre isso em outro dia, vou ir além nesta postagem. A questão agora é: devemos lamentar ou fazer disso uma oportunidade?
Que a seriação tá falida, todos sabem, embora muita gente abrace e chore pelo defunto. No entanto, não deve ser apagada, pelo contrário, muito melhor se relida, pois nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma, já diria Lavoisier. Em uma escola como a minha, dos anos finais do ensino fundamental (6o ao 9o ano), não é o caso de reter estudante de 16 e até 17 anos nas primeiras etapas do processo. A idade é um fator fundamental no desenvolvimento físico e mental desses adolescentes. Muitas vezes a retenção excessiva apenas transforma as dificuldades iniciais em uma bola de neve.
Talvez seja o caso de encaminhá-lo por uma trajetória mais de acordo com seus interesses e suas vontades. Isso também elimina procedimentos arriscados como os programas de aceleração. O ideal é que cada caso fosse um caso. Mas já que não é possível, dá pra agrupar algumas questões. Questões como desenvolvimento cognitivo, disciplina, interesse, sociabilidade, questões familiares tem que ser levados em consideração na montagem das turmas a cada ano.
Para garantir a qualidade do processo, não é ao estudante que sobrará a responsabilidade de fazer as atividades. Para tanto, é preciso um trabalho articulado dos professores. Não falo apenas na famosa interdisciplinariedade.. falo de coleguismo, conhecer o trabalho de quem trabalha com você. Não é preciso intervenção, mas confiança e conhecimento daquilo que se dá ao lado, para que não passe ao largo, pois logo pontes irão surgir.
Eu posso citar o exemplo das professoras da minha escola com quem já trabalho há 4 anos e em cujas práticas eu confio imensamente. Pelos anos de trabalho, conheço um tanto dos projetos políticos pedagógicos que elas praticam todo dia e tento me solidarizar com eles em tudo que posso. Confio nos julgamentos e muitas vezes recorro a elas para perceber melhor algum educando. "Nunca se vence uma guerra lutando sozinho" já dizia Raul Seixas.
Mais do que palavras no papel, um Projeto Político Pedagógico é um conjunto de práticas. É o resultado do diálogo e da vontade de sair do sempre mais do mesmo. Mudar não por não estar dando certo, mas porque mudar é preciso (e na minha opinião não deu certo antes).

"Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto
É realidade"

Bertold Brecht

terça-feira, 5 de março de 2013

5a Olimpíada Nacional em História do Brasil


Hoje foi lançada a 5a edição da Olimpíada Nacional de História da Unicamp. Esse ano eu vou me inscrever pela primeira vez e estou bem animado com isso. Estou desde o começo do ano letivo em contato com minhas equipes. São 9 equipes de 3 estudantes cada.
Estou participando pela primeira vez por um motivo simples. Ano passado, foi a primeira vez que lecionei para o 8o ano e todos os participantes interessados tiveram aulas comigo. Foi quando comecei a plantar a semente. Esse ano todos estão no 9o ano e foram convidados por mim a participar, mesmo que eu não esteja em sala com eles. O convite foi feito a vários, mas esses 27 foram os que aceitaram. Elegi uma representante pra me ajudar com o andamento dos encontros e marquei um encontro semanal nessa fase de inicial de preparação. Dos 15 educandos, 14 também foram meus alunos no 6o ano em 2010, ano em que cheguei à escola CEF 308 do Recanto das Emas. Confio muito na inteligência e no interesse deles, tenho certeza que estamos entrando pra ganhar e aprender bastante. As primeiras vezes são sempre marcantes.. vamos ver o que vem...

http://www.museudeciencias.com.br/4-olimpiada/inicio/index



sexta-feira, 1 de março de 2013

Pesquisa do doutorado...

Esse é o primeiro artigo que eu público. É uma análise do trabalho que realizado com os estudantes de 6o ano da escola CEF 308 do Recanto das Emas.
Segue abaixo o link: http://seer.bce.unb.br/index.php/emtempos/issue/view/804/showToc