quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Fim de ano, últimas avaliações e o mundo que virá...


Salve salve pessoas.. pois é, acabou o ano. Ainda tem recuperação, conselho de classe, reunião com os pais, formaturas, entre outros prolegômeros, mas pra mim, na prática, o ano acabou. Fechei as avaliações, entreguei as notas na secretaria, parabenizei os que são de parabéns, recuperei os que eram de recuperação, alertei os que meu egoísmo me impede de evitar e agora já tô pensando em 2014.
As turmas para o próximo ano já estão sendo forjadas, mas penso em mudar um pouco da geografia das turmas pela escola. As turmas de alunos com histórico de repetência, indisciplina e conflitos familiares precisam ser trazidos para o centro da atenção e não escanteados no fundo. Além disso, hoje recebi a boa notícia que teremos duas turmas de 9o ano pela manhã. A notícia ruim é que uma colega cujo trabalho eu admiro muito vai mudar de escola, mas eu mesmo tava com essas ideias e sei que ela vai continuar potencializando pessoas onde estiver.
Voltando à questão das turmas, considero que foi um sucesso a montagem das turmas do presente ano. Embora muita gente torça o nariz ao escutar isso, eu sou um defensor de que o modelo em si não é ruim.. nem bom.. é um modelo.. com qualidades e limitações como todo modelo. O projeto não é segregar, mas sim agrupar os alunos de acordo com interesses e necessidades. Ele está fadado ao fracasso, quando você espera de todas as turmas o mesmo desempenho para a mesma didática e conteúdo (assim como no sistema de turmas montadas "aleatoriamente"). O ideal seria trabalhar cada educando em sua especificidade, mas como isso é impossível no sistema massificado de ensino, que ao menos dialoguemos com questões mais próximas de grupos, identidades e dificulades coletivas. A construção das turmas é feita em diálogo entre a equipe, analisando muito além de notas, mas sim as vivências e práticas dos estudantes no ambiente escolar e além dele. 
No presente ano, assumi o 8o ano H com o objetivo de mostrar que minha ideia era viável. A aprovação da turma em relação ao ano anterior subiu mais de 400% (de 3 para 13) pelo simples investimento em outras formas de ensinar. Ninguém foi salvo como nesses filmes holliwoodianos, onde o sacrifício edificante de alguma professora representa a redenção dos rejeitados. Porém, posso afirmar que houveram desenvolvimentos pessoais muito significativos. Gente descompromissada correndo atrás, dificuldades sendo enfrentadas e um caso específico, do estudante 21, que certamente foi a melhor surpresa do ano. Frustrações houve, é claro, porque quando a pessoa não quer, nada acontece. Todos tem seus potenciais e a escola não pode continuar nessa lógica do conteudismo ou está fora. "É preciso promover novas formas de subjetividade" como diz o Foucault.
Ainda preciso confirmar isso no conselho de classe, mas acredito que as repetências vão sofrer uma boa redução. Não por leniência dos docentes, mas por novas estratégias e posturas. Nesse ano, alguns projetos interdisciplinares e transdisciplinares, como a Feira de Ciências, a maquete do Sistema Solar ou o Dia da Consciência Negra, mostraram que não é uma questão de avaliar mais e sim avaliar melhor. A reprovação do 8o ano deve cair de 50% no ano passado para 30% esse ano. Eu sei que ainda é alta, mas é uma melhora significativa. No 6o ano devemos cair de 30% para 25%, no 7o ano de 25% para 20% e no 9o ano de 25% para 10%., patamar este dentro do que pode ser vislumbrado como ideal. Talvez a questão direta agora seja a evasão que está acima de 10% em média.
O 6o ano C, turma que sou conselheiro acabou encerrando como a minha melhor turma pela baixa reprovação, mudança de postura e alguns desenvolvimentos pessoais específicos. O 6o ano B, por outro lado, foi a turma com maiores dificuldades. Pontualmente, em todas as salas houveram alegrias, superações e desapontamentos. O 8o ano A proporcionou o privilégio de bons diálogos e ideias trocadas. Acho que 2013 foi um ano difícil e por isso mesmo, um ano de aprendizagem. Que venha 2014...

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