sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Aula da saudade

Salve salve pessoas... hoje eu me despedi do CEF 308, onde estou desde 2010 aprendendo a ser professor. Minha licença saiu na 2a feira, pra quem não estava sabendo, e agora vou ficar por conta do doutorado e da minha filha Ana pelos próximos 3 anos. A licença era uma coisa que eu precisava muito, porque tudo junto tava me sobrecarregando e eu não conseguia fazer nenhuma das coisas bem como se deve.
Na 3a feira eu fui à escola para deixar os conteúdos no mesmo ponto em todas as turmas do 6o ano e já começar a me despedir. Hoje fui para a reunião de pais para entrega de boletins, pois eu que tinha coisas a falar sobre o 2o bimestre para os responsáveis. Pude conhecer o professor novo, que é cabeludo e com um espírito de doidão como o meu. Conversamos e passei tudo que podia pra ele. Além disso, fiz uma aula da saudade, mas o que é uma aula da saudade?
Durante a semana, pelo facebook e pelo boca-a-boca, convidei meus atuais e antigos alunos para irem à escola para nos despedirmos. A aula da saudade foi um grande agradecimento por eles terem me ensinado a ser o professor que eu pude e quis ser, assim como um agradecimento deles a mim pelos anos de convivência. 
Foram alunos das 6 gerações com quem trabalhei na escola, desde os do 6o ano de 2010 (que hoje estão no 2o ano do ensino médio) até alunos que estão no 6o ano atualmente. Alguns tiveram aula comigo no 6o e no 8o, outros no 6o, 8o e 9o, uns nos 8o e 9o e outros apenas no 6o. Mas todos se sentiram transformados pelas nossas vivências compartilhadas e acharam um tempinho na correria para estar lá. Como eu disse pra eles, o maior presente que um professor pode ter.
Eu falei por mais de uma hora (falo muito como sempre) e um pedaço pode ser visto no vídeo:

Chorei, tirei foto, contei histórias e agradeci. O CEF 308 será sempre a maternidade que viu o professor Jorge nascer. Lá eu ajudei muita gente, todos que pude, todos que quiseram. Tentei ajudar outros tantos que não consegui, mas nunca deixei de tentar... nunca deixei de me importar... de perceber que cada um de nós é um universo.
Antes de ensinar uma pretensa história da humanidade ou de uma civilização dita ocidental, quis ensinar uma história humana... uma história que era deles mesmos... ensinar que eles tem história.. uma história que também é a história de suas famílias... do lugar onde moram. No meio disso tudo, a minha história. Como histórias se misturam... como história podem ser contadas... como histórias são sistemas de significação pelo qual damos sentido ao passado... como histórias são mecanismos de poder.
Eu vivi meus alunos e vivi a mim mesmo dessa forma. Me libertei das greves por eles. Me libertei de coleguismos e ranços entorpecedores por eles. E por isso, agradeci a eles por tudo que houve, que há e que haverá. Eu cheguei a essa escola como um homem cheio de ideias e saio dela como outro homem com mais ideias, muitas práticas e uma rede inigualável de experiências-sentimentos que nos envolve todos.
Ame o que você faz e não terá que trabalhar nenhum dia. E seja a mudança que você quer ver no mundo. Obrigado a todas as pessoas...





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